Alicia Dudy Muller, que responde e já foi condenada em primeira instância pelo desvio de quase R$ 1 milhão dos fundos da festa de formatura de sua antiga turma de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), voltou a ser condenada, mas dessa vez a três anos de reclusão e mais 30 dias de multa por aplicar um golpe de R$ 193 mil em uma lotérica de São Paulo.
A condenação veio da 32ª Vara Criminal do Foro Central Criminal da Barra Funda, proferida na última terça-feira (24) pela juíza Adriana Costa. Inicialmente, ela irá cumprir a pena em regime semiaberto. O advogado de defesa de Alice, Sérgio Giolo, afirmou que irá recorrer.
De acordo com o Ministério Público de São Paulo (MP-SP), o crime ocorreu em julho de 2022 em uma lotérica na Zona Sul da capital paulista. Na ocasião, a ré teria se aproveitado da relação de confiança construída ao longo do tempo com funcionários do local para solicitar o registro de apostas de alto valor.
Para induzir a lotérica ao erro, Alícia afirmou falsamente ter realizado transferências via Pix que somariam R$ 891,5 mil – valor das apostas solicitadas por ela. Porém, o comprovante apresentado era, na verdade, de um Pix agendado para uma data futura.
Os funcionários registraram apostas que, até aquele momento, já tinham totalizado cerca de R$ 193 mil, mas passaram a desconfiar da jovem. Ela, então, mostrou um comprovante de transferência de R$ 891,50 na tentativa de distrair e enganar a lotérica. Após uma discussão, ela deixou o local com cinco apostas de R$ 38,7 mil cada.
Na sentença, a juíza Adriana Costa considerou comprovadas a autoria e a materialidade do crime, com base em depoimentos, comprovantes bancários e registros das apostas. A magistrada destacou que houve fraude deliberada e premeditação.
Costa rejeitou alegações defensivas de nulidades processuais e de incapacidade mental da ré, ressaltando que o laudo pericial apontou plena capacidade de entendimento e planejamento do crime.
GOLPE DE QUASE R$ 1 MILHÃO
Em julho de 2024, Alicia foi condenada a cinco anos de prisão por desviar R$ 927 mil da festa de formatura da sua turma de Medicina da USP. O caso veio à tona em janeiro de 2023, após colegas de turma registrarem boletim de ocorrência contra ela, que era presidente da comissão de formatura.
A polícia percebeu a melhora do padrão de vida da jovem em pouco tempo. As investigações apontaram que ela usava o dinheiro levantado para a festa em proveito próprio, para a compra de celular, relógio, aluguel de carros e gastos com aluguel de apartamento.
Alicia foi denunciada por estelionato pelo Ministério Público em março de 2023. O documento, assinado na época pelo promotor Fabiano Pavan Severiano, afirma que a jovem teria praticado estelionato por oito vezes e tentado em uma nona oportunidade, que não chegou a ser concretizada.
A quantidade de crimes praticados pela jovem se refere ao número de ocasiões em que ela teria pedido à empresa contratada para organizar a festa para transferir o montante da conta bancária da comissão para a sua particular. Os repasses teriam começado em novembro de 2021 e se estendido ao longo de 2022 em outras sete ocasiões.
Mesmo condenada a cumprir pena em regime semiaberto, ela terminou a faculdade e conseguiu o registro no Conselho Federal de Medicina (CFM) como médica em dezembro de 2024, já que a lei não impede condenados de estudar, se formar no ensino superior e trabalhar.
*AE