19/06/2019 às 16h56min - Atualizada em 21/06/2019 às 00h00min

Aprendizado infantil depende da interação com outras crianças

Cada vez mais, vemos a tecnologia estarem presentes em nosso cotidiano, mas, para um melhor aprendizado, a interação com outras crianças é o ideal.

DINO
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O avanço tecnológico e as transformações no estilo de vida das famílias estão fazendo com que as crianças troquem, cada vez mais cedo, os brinquedos e brincadeiras tradicionais por aparelhos eletrônicos que oferecem uma diversão virtual, algo muito diferente das experiências vividas pelos pais, por exemplo. Se, por um lado, a tecnologia traz vantagens quando se trata de ensino e aprendizado, por outro, quando o foco é a primeira infância, é preciso cuidado para evitar que tablets, smartphones e computadores não tornem o brincar um ato cada vez mais solitário e artificializado, nos primeiros anos de vida.
 

As escolas devem levar isso em conta, a fim de impedir que a socialização e o progresso da criança sejam prejudicados. "Brincar é essencial para o desenvolvimento integral do ser humano nos aspectos físico, social, cultural, afetivo, emocional e cognitivo. Vai além do lazer. É o momento de compartilhar, de construir regras e combinados, de experiências", explica Ana Flávia Justus, gestora de Educação Infantil da Escola Girassol, de Ponta Grossa (PR). Segundo ela, é brincando - e interagindo - que a criança tem a possibilidade de compreender pontos de vistas diferentes e resolver conflitos. E é por isso que a Educação Infantil é uma das etapas escolares mais importantes da vida de um estudante.
 

Diante das mais variadas situações, a relação entre o brincar e o aprendizado é cada vez maior - mas é preciso cuidado e planejamento para que essa relação apresente resultados significativos. Segundo Ana Flávia, o ato de brincar para aprender exige atenção por parte do adulto, que deve interferir quando necessário para garantir que a criança se desenvolva brincando. "Ao criar condições para jogos e brincadeiras, o professor oferece a chance da criança explorar os novos cenários e situações e, a partir do conhecimento que já possui, aprender ainda mais", conclui a gestora.
 

Durante a primeira infância - fase que vai do nascimento até os seis anos de vida da criança, o processo de desenvolvimento não se dá de forma fragmentada. As atividades e brincadeiras devem visar o conhecimento e a descoberta de habilidades nos mais diversos âmbitos. Num jogo, por exemplo, ao mesmo tempo em que a criança aprende a contar ou a criar estratégias, ela também aprende a respeitar as regras, os colegas e a não criar artifícios para se sair melhor que os demais. O aprendizado é mais completo quando a proposta pedagógica garante essa articulação nas atividades. E quando se trata de brincar, o assunto deve ser levado muito a sério, priorizando brincadeiras que garantam que essa seja o plano principal do processo de aprendizado e que, por meio delas, a criança tenha condições de aprender muito.
 

Tablets e smartphones na primeira infância: cuidados que os pais devem ter
 

Equipamentos tecnológicos como tablets e smartphones despertam fácil o interesse dos pequenos e também servem como ferramenta que ajuda a estimular e desenvolver a criança. "Entretanto, é preciso equilíbrio no uso e moderação constante. Recomenda-se que seja utilizado com tempo determinado e o ideal é realizar as tradicionais brincadeiras de criança também", afirma a gestora de Educação Infantil do Positivo - Santa Maria, Shirley Szeiko.
 

Em recente estudo divulgado pela Organização Mundial da Saúde (OMS), o órgão recomenda que menores de 2 anos não devem ter contato com telas e, ainda, crianças com 2 anos ou mais podem assistir televisão até uma hora por dia. Tais equipamentos podem comprometer a orientação espacial, temporal e a interação com o outro e, quando usados em excesso, podem trazer prejuízos. "As crianças precisam se comunicar, verbalizar, errar, serem corrigidas - e os jogos e aparelhos eletrônicos nem sempre dão margem para isso - pois a aprendizagem nessa fase se dá, principalmente, pela interação", completa a professora.
 

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