30/05/2019 às 18h21min - Atualizada em 31/05/2019 às 00h00min

Tirar os jogos das crianças ou ensinar os professores a jogar?

O especialista Norton Júnior, fala sobre o equilíbrio entre tecnologia para as crianças e, inovação para os educadores. É preciso se adaptar e encontrar o meio termo.

DINO
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Norton Junior é coordenador no Sistema Positivo de Ensino


Inúmeras são as reclamações e dúvidas a respeito da interação das crianças com os jogos, "Meu aluno não sai do celular". "Meu filho passa o dia inteiro no videogame". "Essa criança só quer saber de brincar". Há quem acredite que o acesso deva ser limitado e que esse formato de entretenimento não ensina nada aos pequenos. Mas impedir o acesso ou limitá-lo é a melhor solução? As crianças realmente aprendem mais sentadas em uma cadeira por horas, enfileiras, ouvindo o professor falar, do que quando "põem a mão na massa" na frente do videogame? Acredito que não.

A geração de alunos de hoje não funciona desse modo. A proposta de metodologias ativas, que busca o protagonismo dos estudantes na apresentação dos conteúdos trabalhados em sala de aula, mostra-se altamente eficiente. E a ideia da gamificação, mais ainda. Quando trazemos a ideia de games para a sala de aula, a dinâmica de colaboração ou disputa, com metas e conquistas, fazemos com que o ensino seja profundo e conquistamos a atenção do aluno. E isso é o que estamos tentando ensinar aos professores de agora, se as crianças estão diferentes, se as necessidades e interesses mudaram, o professor também precisa se adaptar.

Quando vamos trabalhar com o conceito de gamificação e apresentamos a concepção para os professores, eles percebem que já têm feito isso em sala de aula e que podem aproveitar mais essa metodologia. Além disso, não são necessários recursos caros ou necessariamente os videogames para aplicar a gamificação. Apesar dos consoles apresentarem opções altamente qualificadas, como o ensino de História em Assassin’s Creed, por exemplo, o que importa na gamificação é a dinâmica presente nos jogos, independentemente da utilização de um tabuleiro, dados, regras verbais ou interações em grupo ou individuais.

A gamificação normalmente relaciona-se com algumas ideias muito simples. É fácil pensarmos, por exemplo, em um programa de fidelidade: você vai acumulando pontos, vai subindo de fase, de categoria, e isso gera um certo estímulo, um desafio, que é o que a gente busca despertar nos estudantes para que a aula possa transcorrer de uma forma mais divertida e significativa. Porque não é só o aspecto lúdico que nos interessa. Quando falamos dessa metodologia não queremos transformar a aula numa brincadeira. A brincadeira está sempre num plano muito mais livre. A criança brinca de faz de conta, não tem tempo para acabar e inventa o que deseja. Pode tudo. O jogo em sala de aula é diferente porque tem regras, tempo, espaço e tudo regulamentado para poder oferecer um desenvolvimento para os estudantes. Sendo assim, nós nos apropriamos de ideias e conceitos que estão presentes nos jogos, para oferecer novas possibilidades em sala de aula, de ensino e de aprendizagem.

O método de gamificação é uma possibilidade de trabalharmos levando o aluno a ser realmente um protagonista do seu aprendizado. Com isso, o professor auxilia-o a ser alguém crítico, que vai escolher seus próprios caminhos. A figura do professor, dentro dessas propostas de metodologias ativas, vai se tornando cada vez mais como um orientador, um tutor. A solução seria, então, em vez de tentarmos distanciar as crianças de seus jogos, nos apropriarmos deles para o aprendizado. Fazer com que o que as interessa, o que as chama a atenção, seja ferramenta na mão do educador.


*Norton Frehse Nicolazzi Junior é professor de história, coordenador da assessoria de História, Filosofia e Sociologia do Sistema Positivo de Ensino. A equipe de Norton ministra o curso "Ensino Gamificado: uma proposta ativa para a sala de aula" para professores das escolas conveniadas, no Programa de Cursos, que acontece em 48 cidades distribuídas pelo país com 5.428 horas de cursos presenciais e mais de 3 mil horas de cursos EAD.



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