07/12/2020 às 10h40min - Atualizada em 07/12/2020 às 10h40min

Ameaça de morte idêntica é enviada a eleitas negras de Curitiba e Bauru

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Metrópoles
Foto: Reprodução
Carol Dartora (PT-PR), professora e primeira vereadora negra eleita de Curitiba, divulgou em suas redes sociais, neste domingo (06/12), um e-mail que ela diz ter recebido com ofensas racistas e ameaça de morte. A mensagem é assinada por uma pessoa que se chama Ricardo Wagner Arouxa.

A mensagem recebida por Dartora é idêntica à mensagem de ameaça recebida por Suéllen Rosim (Patriota), prefeita eleita de Bauru (SP).

“Sua aberração, macaca fedorenta. Enquanto você ganha um salário de vereadora/prefeita apenas por ser uma macaca, eu estou desempregado. Eu juro que vou comprar uma pistola 9 mm e vou te matar”, diz parte do e-mail, que chega a citar endereço das duas mulheres ameaçadas.

Em nota à imprensa, Dartora diz que já levou as ameaças que recebeu para investigação da Polícia Civil.

“O Delegado Pedro Felipe do 1° Distrito Policial de Curitiba em parceria com o NUCIBER (Núcleo de Combate aos Cibercrimes) estão acompanhando o caso. Torcemos para a solução rápida do crime e que os criminosos sejam devidamente encontrados e julgados segundo o devido processo legal.”

A vereadora eleita também criticou a entrevista dada pelo prefeito reeleito de Curitiba, Rafael Greca (DEM), para a Globo News. Greca declarou à emissora que não existe racismo estrutural em Curitiba. “É inadmissível que falas como a do prefeito Rafael Greca sejam aceitas. Negar o racismo que permeia toda nossa sociedade chancela atitudes como essa normaliza a violência e invisibiliza nossa luta”, rebateu Carol Dartora.

O Metrópoles tentou conversar com Suéllen Rosim, mas até a publicação desta reportagem não havia conseguido resposta. A reportagem também procurou a Polícia Civil de São Paulo e do Paraná e não obteve retorno.

Além das ameaças recebidas por Dartora e Rosim, a primeira vereadora negra eleita em Joinville (SC), a professora Ana Lúcia Martins (PT), também recebeu ameaça de morte. No entanto a mensagem recebida por Martins tem conteúdo diferente.

Segundo a investigação conduzida em Santa Catarina, o texto recebido por Martins diz frases como “Agora só falta a gente matar ela e entrar o suplente que é branco”. Para a polícia civil catarinense, há indícios que de que os autores da ameaça à Ana Lúcia Martins sejam de uma célula neonazista em Joinville.

Mulheres negras obtiveram recordes de votos em várias capitais brasileiras, como Porto Alegre, Recife, São Paulo e Espírito Santo, mas o sucesso nas urnas chegou com ameaças.

Segundo o Instituto Marielle Franco, 78% das mulheres negras candidatas nas eleições municipais de 2020 sofreram violência virtual. Em 2021, 32% das prefeituras do Brasil será comandada por uma pessoa negra.

 

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