27/08/2020 às 03h14min - Atualizada em 27/08/2020 às 03h14min

Autor de atentado a mesquitas é condenado à prisão perpétua na Nova Zelândia

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Foto: JOHN KIRK-ANDERSON / AFP/ 26-8-2019 / STR
Um tribunal da Nova Zelândia condenou nesta quinta-feira à prisão perpétua sem direito a progressão o supremacista branco australiano que matou 51 fiéis muçulmanos no maior ataque já praticado no país. É a primeira vez na História que a Justiça neozelandesa aplica a pena máxima prevista em suas leis.

Brenton Tarrant, de 29 anos, foi considerado culpado em 51 acusações de homicídio, outras 40 de tentativa de homicídio e uma de ato terrorista. Os massacres aconteceram em 15 de março de 2019 em duas mesquitas na cidade de Christchurch e foram transmitidos ao vivo pelo criminoso no Facebook.

Ao determinar a sentença, o juiz Cameron Mander disse que uma pena com prazo determinado não seria suficiente diante do "massacre covarde", em que pessoas foram assassinadas por sua religião, etnia, raça e cor.

— Seus crimes, entretanto, são tão perversos que, mesmo se você ficar detido até sua morte, não será o bastante em termos de punição — disse o magistrado, ao fim de quatro dias de audiências. — Até onde vai minha compreensão, você continua desprovido de qualquer empatia por suas vítimas.

O juiz perguntou a Tarrant se ele gostaria de fazer algum comentário antes que a sentença fosse lida. Vestindo um uniforme cinza de presidiário e cercado por guardas, o criminoso confirmou com a cabeça estar ciente de seu direito de se manifestar, mas não falou.

Tarrant usou armas semiautomáticas durante o ataque, que foram praticamente banidas na Nova Zelândia logo após o incidente. O ex-instrutor de ginástica postou ainda um manifesto racista de 74 páginas, que segundo os promotores buscava chamar tanta atenção quanto o atentado.

Segundo a acusação, seu objetivo era semear o medo entre aqueles que descrevia como invasores e ele planejou meticulosamente os ataques para provocar a maior carnificina possível.



— Hoje os procedimentos legais para punir esse crime hediondo foram tomados. Mas nenhuma punição vai trazer de volta nossos entes queridos — disse Gamal Fouda, imã da mesquita Al Noor, um dos alvos do ataque. — Extremistas são todos iguais, não importando se usam religião, nacionalismo ou qualquer outra ideologia. Todos os extremistas representam o ódio. Mas aqui estamos nós hoje. Nós respeitamos o amor, a compaixão, muçulmanos e não muçulmanos, pessoas de fé e pessoas descrentes.

O supremacista branco, que coordenou a própria defesa durante o julgamento mas não fez apelações, disse no tribunal que não se opunha à pena perpétua sem condicional.

— O ódio que motiva sua hostilidade contra membros e particular à comunidade, a ponto de você vir a este país para matar, não tem lugar aqui, não tem lugar onde quer que seja — disse o juiz Mander.

A primeira-ministra Jacinda Ardern se disse aliviada ao saber que “aquela pessoa nunca mais vai ver a luz do dia”.

— O trauma de 15 de março [de 2019] não será curado facilmente, mas hoje eu espero que tenha sido a última vez que tivemos qualquer motivo para ouvir ou pronunciar o nome do terrorista. Esse nome merece uma vida de silêncio.

Arden elogiou os sobreviventes e parentes de vítimas, que deram depoimentos emocionados no tribunal durante a semana pedindo a condenação de Tarrant.

— Quero reconhecer a força de nossa comunidade muçulmana, que compartilhou suas palavras no tribunal ao longo dos últimos dias — disse ela. — Vocês reviveram os horríveis acontecimentos de 15 março para registrar o que aconteceu naquele dia e a dor que ele deixou. Nada vai apagar essa dor, mas espero que tenham se sentido abraçados por toda a Nova Zelândia ao longo do processo e que continuem a se sentir assim daqui para a frente.

Segundo juiz do caso, Tarrant afirmou em depoimento que não era racista ou xenófobo. Em vez disso, alegou que se sentia marginalizado e queria “ferir a sociedade”, movido por crenças delirantes. Entretanto, o promotor Mark Zarifeh o apresentou à corte como sendo “motivado por uma arraigada ideologia racista e xenofóbica e pelo desejo de criar terror na comunidade muçulmana e além”.

O ministro do Exterior da Nova Zelândia, Winston Peters, quer que Tarrant seja deportado e cumpra sentença na Austrália.

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