PF cumpre mandados em operação contra desvios na Saúde na residência oficial de Witzel
Viatura da PF no Palácio Laranjeiras - Reginaldo Pimenta / Agência O DIA
Rio - A Polícia Federal faz, desde o inicio da manhã desta terça-feira, a Operação Placebo, que investiga desvios na área da Saúde do estado durante a pandemia do novo coronavírus (covid-19). Os agentes estão em 11 endereços residenciais e comerciais do Rio e de São Paulo, dentre eles o Palácio Laranjeiras, residência oficial do governador Wilson Witzel (PSC), na Zona Sul do Rio, para onde foram enviadas pelo menos cinco viaturas da PF. De acordo com a investigação, há um esquema de corrupção envolvendo a organização social Instituto de Atenção Básica e Atenção à Saúde (Iabas), contratada para a instalação de hospitais de campanha, e agentes públicos, incluindo gestores da Secretaria estadual de Saúde, responsáveis pelo processo de compra. Contratada para fornecer o material necessário para o funcionamento das unidades, a Iabas teria fraudado documentos e superfaturado o valor dos insumos. A ação é comandada pela Superintendência da Polícia Federal do Distrito Federal e pretende cumprir 12 mandados de busca e apreensão, 10 no Rio e dois em São Paulo. Os mandados foram expedidos pelo relator do caso no Superior Tribunal de Justiça (STJ), o ministro Benedito Gonçalves. Dentre os outros endereços em que os agentes foram enviados ao Rio estão: . Centro: sede da Secretaria de Saúde, do escritório do Iabas e do escritório de advocacia da primeira-dama, Helena Witzel . Botafogo: residência do ex-secretário de Saúde Edmar Santos, atual secretário extraordinário de Acompanhamento da covid-19 do Rio . Leblon: residência do ex-subsecretário estadual de Saúde Gabriell Neves . Grajaú: onde o governador morava antes de se ser eleito De acordo com o Ministério Público Federal (MPF), a investigação para a operação começou através da ação iniciada pelo Ministério Público estadual (MPRJ). O material foi encaminhado à Procuradoria-Geral da República (PGR), em Brasília, após a identificação de indícios da participação de suspeitos com foro privilegiado, como é caso do governador Wilson Witzel. A ação desta terça pretende recolher documentos e outros materiais que possam reforçar a investigação, que apura os crimes de peculato, corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa. A previsão do governo do estado era gastar R$ 835 milhões com os hospitais de campanha em um período de até seis meses. No entanto, há a suspeita de que parte desse valor teria como destino os próprios envolvidos nos contratos. Ainda segundo o MPF, o esquema para viabilizar os desvios envolveria superfaturamento e sobrepreço, além da subcontratação de empresas de fachada.
"O objetivo do Iabas é promover o melhor atendimento às vítimas da covid-19 e salvar vidas", acrescentou, em nota.
FONTE: O Dia