26/05/2020 às 11h58min - Atualizada em 26/05/2020 às 11h58min

PF cumpre mandados em operação contra desvios na Saúde na residência oficial de Witzel

O Dia
Viatura da PF no Palácio Laranjeiras - Reginaldo Pimenta / Agência O DIA

Rio - A Polícia Federal faz, desde o inicio da manhã desta terça-feira, a Operação Placebo, que investiga desvios na área da Saúde do estado durante a pandemia do novo coronavírus (covid-19). Os agentes estão em 11 endereços residenciais e comerciais do Rio e de São Paulo, dentre eles o Palácio Laranjeiras, residência oficial do governador Wilson Witzel (PSC), na Zona Sul do Rio, para onde foram enviadas pelo menos cinco viaturas da PF.

De acordo com a investigação, há um esquema de corrupção envolvendo a organização social Instituto de Atenção Básica e Atenção à Saúde (Iabas), contratada para a instalação de hospitais de campanha, e agentes públicos, incluindo gestores da Secretaria estadual de Saúde, responsáveis pelo processo de compra. Contratada para fornecer o material necessário para o funcionamento das unidades, a Iabas teria fraudado documentos e superfaturado o valor dos insumos.

A ação é comandada pela Superintendência da Polícia Federal do Distrito Federal e pretende cumprir 12 mandados de busca e apreensão, 10 no Rio e dois em São Paulo.

Os mandados foram expedidos pelo relator do caso no Superior Tribunal de Justiça (STJ), o ministro Benedito Gonçalves.

Dentre os outros endereços em que os agentes foram enviados ao Rio estão:

. Centro: sede da Secretaria de Saúde, do escritório do Iabas e do escritório de advocacia da primeira-dama, Helena Witzel
. Botafogo: residência do ex-secretário de Saúde Edmar Santos, atual secretário extraordinário de Acompanhamento da covid-19 do Rio
. Leblon: residência do ex-subsecretário estadual de Saúde Gabriell Neves
. Grajaú: onde o governador morava antes de se ser eleito

De acordo com o Ministério Público Federal (MPF), a investigação para a operação começou através da ação iniciada pelo Ministério Público estadual (MPRJ). O material foi encaminhado à Procuradoria-Geral da República (PGR), em Brasília, após a identificação de indícios da participação de suspeitos com foro privilegiado, como é caso do governador Wilson Witzel.

A ação desta terça pretende recolher documentos e outros materiais que possam reforçar a investigação, que apura os crimes de peculato, corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa.

A previsão do governo do estado era gastar R$ 835 milhões com os hospitais de campanha em um período de até seis meses. No entanto, há a suspeita de que parte desse valor teria como destino os próprios envolvidos nos contratos.

Ainda segundo o MPF, o esquema para viabilizar os desvios envolveria superfaturamento e sobrepreço, além da subcontratação de empresas de fachada.


Em nota, Witzel nega participação nas irregularidade investigadas; veja íntegra do comunicado divulgado pelo governador!

Não há absolutamente nenhuma participação ou autoria minha em nenhum tipo de irregularidade nas questões que envolvem as denúncias apresentadas pelo Ministério Público Federal.

Estranha-me e indigna-me sobremaneira o fato absolutamente claro de que deputados bolsonaristas tenham anunciado em redes sociais nos últimos dias uma operação da Polícia Federal direcionada a mim, o que demonstra limpidamente que houve vazamento, com a construção de uma narrativa que jamais se confirmará. A interferência anunciada pelo presidente da república está devidamente oficializada.

Estou à disposição da Justiça, meus sigilos abertos e estou tranquilo sobre o desdobramento dos fatos. Sigo em alinhamento com a Justiça para que se apure rapidamente os fatos. Não abandonarei meus princípios e muito menos o Estado do Rio de Janeiro.

Já a direção do Iabas informou que "forneceu às autoridades todas as informações e documentos solicitados e está à disposição para quaisquer novos esclarecimentos".
"O objetivo do Iabas é promover o melhor atendimento às vítimas da covid-19 e salvar vidas", acrescentou, em nota.

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