22/04/2020 às 12h48min - Atualizada em 27/04/2020 às 01h03min

No Brasil até o passado é incerto: a importância de alocar parte do portfólio em ativos em dólar

A diversificação internacional é de suma importância para uma carteira de investimentos de sucesso e de risco controlado. Ter ativos em dólar é uma forma de se proteger contra as mazelas brasileiras e até mesmo de acontecimentos inesperados, como o coronavírus.

DINO
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No Brasil até o passado é incerto: a importância de alocar parte do portfólio em ativos em dólar.

No governo FHC, um relatório do TCU mostrou que algumas dívidas do Tesouro Nacional adquiridas durante o regime militar, não haviam sido registradas contabilmente, e por isso recomendava-se recalcular a dívida pública. O débito em questão não era alto, mas gerou uma grande incerteza no mercado na época; pensou-se: Será que há outras contas escondidas? Há omissão fiscal? O custo da dívida já está crescendo demais, por que isso agora?

Esse episódio gerou um dos 17 pedidos de impeachment que FHC recebeu, poucos se comparados aos 34 de Lula. Gerou, também, uma frase antagônica: "No Brasil, até o passado é incerto". Alguns atribuem a autoria da frase a Pedro Malan, Ministro da Fazenda na época, outros, ao Ex-presidente do Banco Central, Gustavo Loyola. Assim como o episódio, até mesmo a autoria da frase era incerta.

Em terras tupiniquins, esses incidentes que surgem tanto da incapacidade administrativa do governo, quanto de crises políticas/ institucionais parecem ser mais frequentes aqui que em países do Atlântico Norte.

No ano passado, li num jornal que o Procurador Geral da República, durante o exercício de seu mandato, entrou armado no STF com a intenção de matar um Ministro daquele Tribunal. De tão surpreso, tive que buscar outros meios para me certificar que não se tratava de uma fake news.

Em 18 de maio de 2017, foi divulgado no jornal "O Globo" que um certo empresário chamado Joesley, gravara o Presidente do país dando-o aval para comprar o silêncio do Ex-presidente da Câmara, Eduardo Cunha. Esse episódio resultou no pedido de impeachment de Michel Temer, que havia tomado posse justamente por causa de um processo de impeachment de sua antecessora. As reformas do governo foram paralisadas e só puderam ser retomadas com a eleição de um novo presidente. Naquele dia, a Bolsa Brasileira chegou a cair mais de 10%, o circuit breaker foi ativado e as negociações da B3 foram interrompidas por 30 minutos.

Além dessas mazelas políticas, existem motivos puramente econômicos que levam a Bolsa Brasileira ser mais volátil que a de outros países desenvolvidos (nos últimos 30 anos a S&P500 teve um desvio padrão 1,8 vezes maior que o Ibovespa). Assim como os demais países emergentes, o Brasil está mais sujeito à fuga de capitais. Num momento de crise como a do Subprime de 2008, os investidores se desfazem de suas ações e compram ouro ou moedas fortes como o dólar, o franco suíço ou o Iene. Dessa maneira, o Ibovespa sofre uma dupla queda: a queda do real e do Ibovespa propriamente dita.

Outra questão se refere ao Índice Beta, que é a medida de risco geral de mercado, ou seja, riscos não idiossincráticos. O beta da bolsa brasileira em relação ao americano gira em torno de 1,4. O que isso significa? Que em momentos de aquecimento da economia global, o Ibovespa tende a superar o índice americano, mas, em momentos de crise, o índice brasileiro costuma sofrer mais, ironicamente, mesmo quando o epicentro da crise é nos próprios EUA.

Nesse século, vimos isso acontecer pelo menos 2 vezes: Crise do Suprime em 2008 e a turbulência acarretada em agosto de 2011 devido ao rebaixamento do rating soberano dos EUA. Existem diversas razões que explicam esse comportamento, a principal é a seguinte: Empresas do setor de commodities (Petrobras e Vale) tem alta peso no índice. Essas ações são cíclicas, dependem da demanda internacional. Se a China começa a titubear, os operadores internacionais gritam, "Vende Brasil, vende Brasil!".

Essa dinâmica parece estar acontecendo novamente neste ano. Em Março o coronavírus derrubou a bolsa brasileira em 29,9%, o S&P500, bem menos 12,5% e o IVVB11 devido a valorização do dólar subiu 2,16%.


Por isso eu digo, independente do cenário, caso o investidor decida investir em renda variável, é imperativo que ele aloque parte de seu portfólio em ações de empresas americanas. Nesse caso, não é estritamente necessário que você escolha as ações individualmente ou abra conta em uma corretora estrangeira. Investir no ETF IVVB11 é suficiente para melhorar a diversificação e eficiência do seu portfólio.



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