18/04/2020 às 17h49min - Atualizada em 18/04/2020 às 17h49min

Mulheres usam coronavírus como desculpa para aplicar golpe de R$ 14 mil em SP

G1
Foto: Reprodução
Uma idosa de 85 anos foi vítima de um golpe por mulheres que fingiram ser funcionárias de um banco em Santos, no litoral paulista. As estelionatárias ligaram para a vítima afirmando que ela tinha tido o cartão clonado e precisava pedir o estorno. Ao conseguirem todos os dados de Maria da Conceição Macena Pereira, uma das golpistas, também se passando por funcionária, foi até a casa da idosa e pegou seus cartões. Ela estava de máscara de proteção e foi flagrada por câmeras de monitoramento.

O golpe começou por volta das 10h do dia 15 de abril. Em entrevista ao G1, Maria informou que nesse horário recebeu uma ligação em seu telefone residencial, de uma mulher que se identificava como Bruna. A estelionatária tinha dados dela, como telefone, nome e antigo endereço, o que a levou a acreditar que se tratava realmente de uma atendente de sua agência bancária.

"Ela perguntou se eu tinha feito duas compras diferentes pelo meu cartão, uma de R$ 3 mil e outra de R$ 1 mil. Expliquei que não, mas que iria perguntar ao meu filho se ele sabia de algo, já que temos contas compartilhadas. Mas imaginei que não seria ele, porque meu filho teria me avisado", diz.

Segundo a vítima, em seguida, a mulher que se apresentou como funcionária do banco em que tem conta disse que ela não precisava perguntar para o filho, pois a operação foi em Manaus, e por isso eles ligaram, já que o sistema identificou uma movimentação estranha na conta.

Foto: Reprodução

A suspeita então falou que transferiria a idosa para a gerente, que seria responsável por realizar o pedido de estorno do dinheiro. Conforme relata Maria, uma mulher que se identificou como Camila a atendeu e pediu os números de todos os cartões que ela tinha. "Ela me instruiu a apertar a minha senha pausadamente, afirmando que não veria, e falou que eu devia falar as letras utilizadas no caixa eletrônico. Fiz tudo. Ela também pediu a senha do aplicativo pela internet e o limite dos seis cartões", relata.

Após passar todos os dados, Maria afirma que a estelionatária explicou que ela deveria colocar os cartões, o chip do celular e uma carta escrevendo que o cartão havia sido clonado em um envelope. "Então a mulher me disse que como eu sou idosa e estamos em meio a uma pandemia, mandaria uma funcionária buscar tudo e levar até o banco para o cancelamento, evitando que eu corresse risco de contrair a doença. Ela disse que eu só deveria deixar a mulher entrar se ela falasse o código 6265 e me garantiu que era de confiança", conta.

Uma das golpistas foi o prédio de Maria, subiu pelas escadas e pegou o envelope com os cartões. "Acho que não quis pegar o elevador pelas câmeras. A moça que estava ao telefone comigo não me deixou desligar a nenhum momento. Falou que eu deveria entregar o envelope nas mãos da funcionária que buscaria, que ela estaria de máscara e que eu não devia comentar com ninguém , porque a quadrilha que clonou meu cartão era perigosa e poderia estar de olho", diz.


Foto: Reprodução

Sem o chip do celular, a idosa não conseguia falar com a família. Além disso, as golpistas a prenderam na ligação até 17h50, fazendo diversas perguntas e explicando como seria todo o procedimento. "Ela falou que me mandaria dois cartões emergenciais para que eu conseguisse usar meu dinheiro. Quando ela desligou o telefone, liguei e contei tudo para o meu filho, foi quando ele ficou desesperado e me falou que eu provavelmente tinha sido vítima de um golpe", lamenta.

A idosa afirma que chorou de desespero. Quando os filhos e netos olharam, as golpistas já tinham sacado mais de R$ 4 mil de sua conta e utilizado os cartões de crédito no valor de R$ 10 mil. "Uma delas ainda me ligou de volta para ver se eu estava bem, provavelmente era para ver se já tínhamos descobrido tudo e quanto tempo ainda tinham. Assim que passei para a minha neta, a golpista desligou rapidamente", conta.

A advogada Rosa Maria Carrasco Caldas explica que está acompanhando o caso, já registrou boletim de ocorrência online e dará andamento as medidas judiciais. De acordo com ela, Maria é lúcida, independente e muito bem orientada, mas foi levada a acreditar nas estelionatárias, porque elas tinham dados pessoais da idosa.

"A nossa principal questão aqui é entender como essas mulheres tiveram acesso tão facilmente a dados pessoais dela, conseguindo o telefone, nome e até endereço antigo. Sabemos que ela foi induzida a erro por uma terceira pessoa, que não é o banco. Mas queremos entender onde está o erro do banco, para que essas informações pessoais cheguem em uma pessoa criminosa", destaca a advogada

Instituição bancária

Em nota, a Caixa Econômica Federal afirma que utiliza os mais modernos recursos para garantir a segurança de suas transações bancárias, porém podem ocorrer tentativas de fraude.

Segundo a instituição. caso o cliente desconfie de alguma ligação vinda da Caixa, deve desligar o telefone e retornar para a Central de Atendimento Cartões Caixa, ligando de outro número de telefone ou, preferencialmente, 5 minutos após a ligação suspeita. Os números de telefone da CAIXA e todos os outros canais podem ser encontrados no site ou no verso do seu cartão.

O banco disponibiliza orientações de segurança em seu portal da internet com o objetivo de alertar seus clientes quanto a golpes, seja por e-mails spam, sites falsos, presencialmente ou por telefone.

A Caixa reforça que cartão e senha são pessoais e não devem ser entregues a terceiros. O banco nunca recolhe cartões bancários do cliente, mesmo que inutilizados. Pedir que o cliente digite ou informe senhas também não é uma prática do banco. Caso precise jogar fora um cartão, a orientação é destruí-lo completamente, cortando seu chip ao meio, e nunca o entregar a ninguém.

Segundo a instituição bancária, caso o cliente perceba que caiu em um golpe em sua conta da Caixa, deve fazer imediatamente o bloqueio/cancelamento do cartão por meio dos canais de atendimento, se possível, com os dados do cartão que foi alvo do golpe. É sempre importante comunicar aos órgãos policiais para investigação.

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