20/09/2018 às 22h20min - Atualizada em 20/09/2018 às 22h20min

Em carta, FHC pede união de presidenciáveis contra candidatos radicais

Em meio a pesquisas que apontam 2º turno entre Jair Bolsonaro e Fernando Haddad, tucano diz que 'ainda há tempo para deter a marcha da insensatez'

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Paulo Vitale/VEJA
O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) divulgou no início da noite desta quinta-feira, 20, uma “carta aos eleitores e eleitoras” na qual prega a união de candidatos que “não apostam em soluções extremas” em torno do presidenciável que “melhores condições de êxito eleitoral tiver”. O tucano escreveu o texto em meio aos prognósticos de pesquisas eleitorais de que o segundo turno da disputa pelo Palácio do Planalto seria entre Jair Bolsonaro (PSL) e Fernando Haddad (PT), candidatos com os discursos mais extremados.

“Os maiores interessados nesse encontro e nessa convergência devem ser os próprios candidatos que não se aliam às visões radicais que opõem ‘eles’ contra ‘nós’”, diz FHC na missiva. O ex-presidente classifica o quadro atual como “dramático” e afirma que “em poucas ocasiões” viu condições políticas e sociais “tão desafiadoras quanto as atuais”, mas pondera que “ainda há tempo para deter a marcha da insensatez”.

Na carta, FHC diz que, caso não haja unidade entre os mais moderados, o novo presidente será ou “um salvador da pátria” ou um “demagogo”, “remendo eleitoral” que, na sua avaliação, agravaria a “crise econômica, social e política” no país”.

“É hora de juntar forças e escolher bem, antes que os acontecimentos nos levem para uma perigosa radicalização. Pensemos no país e não apenas nos partidos, neste ou naquele candidato. Caso contrário, será impossível mudar para melhor a vida do povo. É isto o que está em jogo: o povo e o país. A Nação é o que importa neste momento decisivo”, escreveu.

Para Fernando Henrique, o candidato a ser apoiado contra a polarização deve ser “uma liderança serena que saiba ouvir, que seja honesto, que tenha experiência e capacidade política para pacificar e governar o país”. Ele não citou diretamente o candidato do PSDB à Presidência, Geraldo Alckmin, no texto. Em uma postagem em sua conta no Twitter depois da divulgação da carta, no entanto, FHC disse que Alckmin “veste o figurino” descrito por ele.

Ainda conforme o ex-presidente, caso Jair Bolsonaro ou Fernando Haddad sejam eleitos, “o vencedor terá enormes dificuldades para obter a coesão nacional suficiente e necessária para adoção das medidas que levem à superação da crise”. “As demandas do povo se transformarão em insatisfação ainda maior, num quadro de violência crescente e expansão do crime organizado”, prevê o tucano.

Candidatos descartam desistir

Em entrevistas no fórum Amarelas ao Vivo, promovido por VEJA nesta quarta-feira, 19, em São Paulo, Geraldo Alckmin, Marina Silva, Alvaro Dias, João Amoêdo e Henrique Meirelles descartaram abandonar as próprias candidaturas para apoiar um adversário mais competitivo, contra a polarização Bolsonaro-Haddad no segundo turno. Conforme a pesquisa Datafolha divulgada hoje, os cinco têm, somados 24% das intenções de voto. O candidato do PSL aparece com 28% e o do PT, com 16%.

Com 9% a pesquisa, Alckmin se disse “firmíssimo” na campanha e avaliou que a a “eleição é por ondas”. “Quantos por cento tinha o Haddad há quinze dias? Já está em segundo. O que vale é a última onda, a onda da última semana”. O tucano entende que “o PT já está no segundo turno” e busca convencer os eleitores antipetistas de Jair Bolsonaro de que é ele o candidato mais competitivo para vencer o petista.

Marina Silva declarou que a análise dos números das pesquisas eleitorais – ela tem 7% no Datafolha – pode transformar a eleição presidencial em um grande plebiscito. “Uma eleição em dois turnos é para que a gente não se curve ao pensamento autoritário de querer decidir no primeiro turno. Numa eleição de dois turnos, é para que cada pessoa vote no candidato da sua convicção. No Brasil querem fazer das eleições uma eleição plebiscitária”, disse.

Com 3% no Datafolha, Alvaro Dias afirmou que se manter entre os candidatos é questão de honra e se diz esperançoso em uma improvável virada que o leve ao segundo turno: “não faria isso porque tenho esperança. Eu não seria um candidato honrando as pessoas que acreditam em mim. Eu seria um covardaço”.

Henrique Meirelles, que tem 2% na pesquisa, classificou um possível acordo como “conchavo de bastidor” e disse que não abandona a disputa porque pode ganhar a eleição ainda no primeiro turno. “Eu tenho uma candidatura que está crescendo. Essa decisão vai ser tomada pelos eleitores, que escolherão quem tem maiores possibilidades de vitória”, afirmou.

Fundador do Partido Novo, João Amoêdo, que aparece com 3%, rejeita abrir mão de sua candidatura por sustentar “ideias diferentes” dos adversários. “Acho difícil fazer coligação com pessoas que estão usando dinheiro público, que não cortaram privilégios, que tão fazendo associação com pessoas que são contrárias ao que imaginamos para a iniciativa pública”, enumerou.

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