24/03/2020 às 15h43min - Atualizada em 25/03/2020 às 00h00min

Polêmica: Educação Infantil precisa de material didático?

A adoção ou não de material didático na Educação Infantil (para crianças de até 5 anos) sempre gerou discussão entre os educadores que veem, na utilização de livros e materiais tradicionais, nessa fase do aprendizado, um risco de se antecipar processos, limitar a ação do professor e engessar o processo educacional

DINO
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Material didático para crianças de até 5 anos não é previsto

A adoção ou não de material didático na Educação Infantil (para crianças de até 5 anos) sempre gerou discussão entre os educadores que veem, na utilização de livros e materiais tradicionais, nessa fase do aprendizado, um risco de se antecipar processos, limitar a ação do professor e engessar o processo educacional. Mas o material didático pode ir muito além disso, assumindo um papel importante na formação do professor e para ampliar seu repertório em sala de aula.

"Ter ou não material é uma escolha da escola ou do município. A discussão deve ser muito mais sobre a qualidade do material adotado do que se deve adotar ou não", comenta a pedagoga Aline Pinto, autora e editora dos materiais do G1 e G2 do Sistema de Ensino Aprende Brasil, desenvolvido pelo Grupo Positivo. "Um bom material didático, tanto para a Educação Infantil, quanto para outras etapas do ensino, é um recurso formativo e não só informativo. Nesse sentido, o material pode ser bem-vindo na Educação Infantil quando ele não engessa o trabalho do professor, mas contribui para a formação dele; quando amplia repertórios e, principalmente, quando dá espaço para a interação e as brincadeiras, que são os eixos estruturantes da Educação Infantil", diz Aline.

Ao produzir o material para o Aprende Brasil, ela conta que uma das diretrizes foi criar um produto que não delimitasse a atuação do professor, mas que desse a ele autonomia para criar os próprios percursos pedagógicos, de tal modo que conseguisse fazer um planejamento autoral, utilizando o material como fonte de inspiração e não como um roteiro obrigatório que engessasse o trabalho.

A utilização de material didático nessa fase não é prevista nas Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Infantil, que determinam, como eixo estruturante do currículo para crianças até cinco anos as brincadeiras e interações. Na visão de educadores, esse trabalho pode ser feito com ou sem o apoio de material. "Se optar pela utilização do material, ele deve resguardar esse espaço para o brincar e o interagir. Um bom material é capaz de ampliar os horizontes da criança, fazendo com que ela adentre novos mundos, alguns imaginários, que ela crie, explore, investigue, tenha oportunidades de descobertas e explorações", defende a pedagoga.

Novo material

A nova coleção, que acaba de ser lançada e está sendo utilizada a partir do ano letivo de 2020, tem uma temática especial. "Sempre que lançamos uma nova coleção, analisamos os aspectos dos livros e materiais em uso que atendem às necessidades e expectativas de professores e alunos e pensamos em inovações que possam enriquecer ainda mais a prática pedagógica", conta a gerente editorial do Aprende Brasil, Cristina Aparecida Kerscher.

Segundo ela, para essa ideia foram trazidas novidades para os livros de G1 e G2. Uma delas está no Livro de Vivências, no qual, em vez de se apresentarem sequências didáticas, trabalham-se com contextos e seções. Neles são apresentadas inúmeras sugestões sobre materialidades, tempo, organização do espaço e agrupamentos, contribuindo com a ação do professor. "Essa mudança foi feita porque bebês e crianças muito pequenas reagem de maneiras diferentes diante de algumas atividades propostas. Assim, o professor pode contar com um livro repleto de dicas para variadas situações de aprendizagem, além de ser estimulado a refletir sobre elas", destaca.

Para aproximar os componentes da coleção ao universo da criança, a equipe de arte criou os amigurumis (bichinhos de crochê) e produziu fotografias documentais. "Trazemos tanto a questão do sensorial, do aconchego, da memória afetiva, pois o crochê, o artesanal, nos remete à avó, por exemplo, assim como as fotos para criação de enredos e narrativas traduzem o cotidiano em forma de imagem, para ilustrar de forma mais didática e mais convidativa as reflexões", explica Aline.

Os novos materiais do Sistema de Ensino Aprende Brasil para o G1 e G2 subsidiam o trabalho de professores que atendem a crianças na faixa etária de 0 a 2 anos e 11 meses e são compostos por livros e outros recursos pedagógicos destinados aos docentes e aos bebês. No kit são encontrados:

- uma maleta do professor;

- um livro Diálogos Formativos do professor, que é um recurso para apoiar a formação continuada do professor, com inspirações e dicas sobre o cotidiano da creche, a documentação pedagógica, entre outras informações;

- um Livro de Recadinhos, que se constitui em um recurso de comunicação entre creche e família;
um Livro de Trajetórias, usado para documentar as brincadeiras, interações e experimentações propostas com aos pequenos;

- um Álbum do Bebê, no qual podem ser registradas algumas das importantes experimentações dos bebês, para que possam ser compartilhadas, comemoradas, preservadas e relembradas com o passar dos anos. Ele é dividido em duas partes, uma destinada aos registros que podem ser feitos pelos familiares e a outra reservada aos registros dos professores. Essas partes se unem, convidando os responsáveis para uma prática compartilhada e integrada. Em suas páginas, além de espaços para os registros, há dicas para promover o desenvolvimento de bebês felizes e saudáveis;

- um CD com músicas, narração de histórias, sons, etc.;
dois volumes do Livro de Vivências, com dicas para organização dos espaços na creche, orientações para a troca de fraldas, banho, alimentação e sono dos bebês e crianças bem pequenas, sugestões de percursos didáticos, entre outros temas;

- um Cartaz de Chamada do professor;

- um Metro de Crescimento;

- Pranchetas de Experimentação destacáveis para professor e criança, usadas de acordo com as
sequências didáticas propostas no Livro de Vivências, com espaço para o registro do nome da criança e da data da produção;

- um kit de materiais de diversas texturas (lixa, tecidos, plásticos-bolha, lâminas de PVC, tela, cartão metalizado, adesivos e papelão ondulado), que possibilita a descoberta de novas sensações, a vivência de novas experiências e, consequentemente, a construção de novas aprendizagens pelas crianças;

- Livros de literatura infantil -"O balão" e "Dia de sol na fazenda" para o G1, e "É muito pouco" e "O encontro", para o G2.



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