27/07/2018 às 11h36min - Atualizada em 27/07/2018 às 11h36min

Prefeito e vereadores fraudavam licitações para favorecer o tráfico, diz polícia

Foto: Pablo Jacob / Agência O Globo
O prefeito de Japeri, Carlos Moraes (PP), o vereador Cláudio José da Silva, o Cacau — presos nesta sexta-feira —, e o presidente da Câmara Municipal, Wesley George de Oliveira, que está sendo procurado pela polícia, usavam suas funções para fraudar licitações e desviar dinheiro público em favor da quadrilha de traficantes do Complexo do Guandu.

Essa foi uma das descobertas feitas pela investigação da Polícia Civil e do Ministério Público do Rio sobre o grupo e que resultou na Operação Senones.

Segundo os investigadores, o prefeito e os vereadores "integravam o núcleo político da organização criminosa" que domina o tráfico no Guandu — comunidade que pertence à facção Amigo dos Amigos (ADA).

 

Carlos Moraes (de preto) após ser preso
Foto: Pablo Jacob / Agência O Globo

Eles se paorveitavam do fato de ocuparem cargos públicos para agir em favor dos traficantes, especialmente Breno de Souza, o BR — um dos bandidos mais procurados da Baixada Fluminense e que foi preso no último dia 20.

Os políticos "faziam uso de seus mandatos para repassar informações privilegiadas e articular ações integradas que permitissem os traficantes atuar livremente", informou a Polícia Civil.

 
'Diálogos explícitos'

Carlos Moraes foi, inclusive, flagrado em interceptações telefônicas autorizadas pela Justiça conversando com BR. Segundo a denúncia do MP, os diálogos são "explícitos" e demonstram o "profundo comprometimento (do político) com a defesa dos interesses da organização criminosa". Ainda de acordo com o Ministério Público, o prefeito se valia de seu cargo para impedir que a quadrilha do Guandu sofresse prejuízos.

As escutas mostram, ainda, um episódio em que BR ligou para Moraes e para outras pessoas influentes do município a fim de interromper uma operação policial feita para impedir a realização de um baile funk promovido pelo tráfico. O vereador Claudio José também ligou para o traficante "se prontificando a ajudar a encontrar uma solução para a intervenção policial na comunidade".

 

O vereador Claudio José, o Cacau, também
Foto: Pablo Jacob / Agência O Globo

O MP diz, ainda, que o prefeito retornou a ligação de Breno para dizer que estava "empenhado em atender a demanda de Breno e para passar informações privilegiadas sobre outra operação policial na comunidade". "Disse ainda que, em companhia do vereador Wesley George, o Miga, iria procurar o comando do 24º BPM para 'alinhar' com o mesmo", informou o Ministério Público.

Quem fazia a ligação entre a Prefeitura de Japeri, a Câmara Municipal da cidade e os traficantes do Guandu era, de acordo com as investigações, Jenifer Aparecida Kaiser de Matos. A mulher, que foi nomeada assessora, é um dos alvos da operação.

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