Mendonça compara vigilância da PF ao livro 1984, de George Orwell
Mendonça determinou o afastamento do diretor-geral da PF, Andrei Augusto Passos Rodrigues, e do diretor de Inteligência Policial da corporação, Leandro Almada da Costa, afirmando ter sido alvo de “monitoramento sistemático e ilegal” por parte da corporação durante mais de 30 dias.
Foto: Luiz Roberto/TSE
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça citou o livro 1984, do escritor inglês George Orwell, ao determinar o afastamento preventivo do diretor-geral da Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues, nesta terça-feira (8).
De acordo com Mendonça, o monitoramento realizado por parte da Polícia Federal (PF) sobre suas atividades e as do advogado-geral da União Jorge Messias, e o fato de o ministro Alexandre de Moraes ter conhecimento desses relatórios, se assemelha ao cenário distópico narrado por Orwell.
– Diante do quadro ora apresentado, que mais se assemelha ao cenário concebido por George Orwell em sua célebre distopia, intitulada “1984”, verifica-se, a mais não poder, que [a] a produção dos “relatórios de inteligência” em questão, [b] o fato de sobre eles ter sido dada ciência prévia ao Ministro Alexandre de Moraes – mencionou.
Publicado por Orwell em 1949, o livro 1984 retrata uma sociedade totalitária sob vigilância constante e manipulação da verdade. A história se passa no superestado da Oceânia, governado pelo Partido e pela figura onipresente do Grande Irmão (Big Brother).
O protagonista, Winston Smith, é um funcionário do Ministério da Verdade, responsável por reescrever registros históricos para que o governo nunca pareça errado. Desiludido, Winston começa a ter pensamentos rebeldes e tenta se conectar com a resistência.
Mendonça determinou o afastamento do diretor-geral da PF, Andrei Augusto Passos Rodrigues, e do diretor de Inteligência Policial da corporação, Leandro Almada da Costa, afirmando ter sido alvo de “monitoramento sistemático e ilegal” por parte da corporação durante mais de 30 dias.
– Importa registrar que este relator foi submetido a monitoramento sistemático por parte da inteligência da polícia federal. Conforme consta do já mencionado Ofício 40/2026/GAB/PF, subscrito pelo diretor-geral da Polícia Federal, houve a produção de ao menos seis relatórios de inteligência produzidos pela UADIP/CINQ/CGRC/DICOR/PF, os quais teriam sido recebidos por referida autoridade entre os dias 3 e 31 de agosto de 2026. Ou seja, ao menos há mais de 30 dias este relator tem sido monitorado pela Polícia Federal. Trata-se de monitoramento ilícito de ministro da Suprema Corte do país, o que por si só revela a gravidade da situação – escreveu Mendonça, que é relator do caso dos escândalos financeiros do Banco Master e do INSS, no STF.
Mendonça ainda ordenou que a Corregedoria da PF instaure uma investigação penal e administrativo-disciplinar para apurar o caso.