O candidato à Presidência Romeu Zema (Novo) publicou, nesta quarta-feira (19), o décimo episódio da série Os Intocáveis, que usa humor e sátiras para denunciar privilégios, irregularidades e supostos abusos envolvendo figuras políticas brasileiras. No novo vídeo, o presidenciável aborda a decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), de deflagrar operação policial contra a fonte jornalística responsável por revelar que a família do ministro Flávio Dino teria feito uso pessoal de carros oficiais.
O roteiro tem início com um diálogo entre bonecos gerados por inteligência artificial representando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Dino. Na peça, o ministro aparece com um vazamento em casa e recebe uma indicação do petista para solucionar o problema.
Ao ligar para o número sugerido pelo chefe do Executivo, Dino entra em contato com Moraes, que aparece tatuando o nome do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master investigado por fraudes financeiras bilionárias.
– Você com a PF [Polícia Federal] pegou o celular de jornalista, pegou lá também o nome da fonte, e a denúncia para isso acontecer quem assinou fui eu. E a fonte se f****. Digníssimo. Eu sei que não pega bem um ministro ajudando no caso do outro – declara o personagem de Dino.
– O nome disso é brotheragem, digníssimo. Ninguém mexe com meu rocambole – responde “Moraes”.
– Digníssimo, você acaba de entrar no meu livro de memórias – complementa “Dino”.
O episódio inclui ainda a representação da jornalista Malu Gaspar defendendo a preservação do sigilo da fonte.
– Se isso aqui fosse uma democracia, ela até que teria um ponto – retruca “Moraes”.
A peça finaliza fazendo propaganda de um aplicativo fictício chamado Only STF Fans, destinado a anular sentenças, conceder habeas corpus e livrar familiares de autoridades que estejam sendo investigados.
– Serviço indisponível para cidadão comum. Assinatura sujeita a sigilo de cem anos. Em caso de repercussão, procure imediatamente o seu ministro de confiança. Cancelamento somente por decisão monocrática – ironiza o vídeo.
Assista ao episódio completo a seguir:
ENTENDA
Moraes autorizou no último dia 11 uma operação de busca e apreensão contra Raimundo Cutrim, ex-secretário de Segurança do Maranhão, após a Polícia Federal (PF) apontá-lo como a principal fonte do jornalista independente Luís Pablo em reportagens publicadas no fim do ano passado.
As matérias em questão revelaram que a família do ministro Flávio Dino usava carros do Tribunal de Justiça do Maranhão e que até mesmo o combustível dos veículos era pago com verbas públicas locais.
Luís Pablo foi acusado de perseguição e incluído no inquérito das fake news. Ele se pronunciou no dia 12, após a decisão de Moraes contra Raimundo Cutrim. Em vídeo nas redes sociais, o jornalista destacou que o foco da investigação deveria estar nas informações que ele revelou, e não em quem as levou até ele.