Hoje todo mundo vai dizer que Jô Soares era gênio. Mas é porque ele era mesmo
Um dos maiores apresentadores e humoristas do Brasil nos deixou na madrugada desta sexta-feira (5)
Jô no cenário de seu programa no SBT, na década de 1990 VIDAL CAVALCANTE/ESTADÃO CONTEÚDO - 08.12.1997
Tem poucos artistas por aí que a gente pode dizer que são ou foram fundamentais para um país, e Jô Soares é, certamente, um deles. Bem-nascido, Jô foi muito cedo estudar na Europa, numa escola de elite, e ali mesmo descobriu que queria ser ator. Embora fosse de família rica, Jô tinha um apelo popular e uma pegada de humor que conseguiam atingir todas as classes. Mostrou essa sua verve desde muito cedo na TV, ainda nos anos 1950 e 1960, na Record TV (Record, na época) em programas como Praça da Alegria e Família Trapo. Na Globo, para onde foi nos anos 1970, pisou fundo no acelerador da comédia e era parte importante de programas humorísticos como Faça Humor, Não Faça Guerra, Satiricom e Planeta dos Homens. Em 1981, deu seu grande salto com Viva o Gordo. Nessa atração, o humorista mostrou toda a sua habilidade e fazia rir ao mesmo tempo que soltava críticas ácidas a políticos corruptos e também à ditadura militar, seus alvos favoritos. São dessa época personagens clássicos como Capitão Gay, Zé da Galera, Reizinho, Zé, Vovó Naná, Gandola, Sebá, General Gutierrez, Dom Casqueta, Capilé, Araponga etc.
jo-galeria7jpg-05082022075304869.jpeg
Claro que as críticas e piadas contra a ditadura não passaram impunes. Jô sofreu censura do governo, que não gostava das brincadeiras politizadas do apresentador. Com isso, alguns de seus personagens chegaram a ficar mais de um ano fora do ar. A censura ao trabalho de Jô também era interna, com a Globo com medo de melindrar os militares. Em 1988, Jô decidiu dar uma virada na carreira. Deixou a Globo e foi para o SBT, onde inicialmente fez um humorístico chamado Veja o Gordo, mais ou menos no mesmo esquema de Viva o Gordo. A atração teve vida curta e, no mesmo ano, estreou o Jô Soares Onze e Meia, programa de entrevistas nas madrugadas que trouxe para o Brasil a fórmula dos talk shows americanos ao estilo de David Letterman. Mas tudo, obviamente, com o jeitão do apresentador brasileiro.
jo-galeria9jpg-05082022075305309.jpeg
No ano 2000, Jô voltou para a Globo, onde continuou fazendo suas entrevistas numa atração chamada simplesmente Programa do Jô. Desde a época do SBT, todo mundo queria ser entrevistado pelo apresentador. O programa virou algo meio que obrigatório, e Jô conseguia falar com todo tipo de pessoa, desde vendedores anônimos de algum produto inusitado até presidentes, passando por artistas internacionais e o que mais aparecesse pela frente.
jo-galeria4jpg-05082022075306782.jpeg
Com esses programas de entrevistas, Jô virou quase que uma unanimidade, praticamente sinônimo de inteligência e bom humor. Sempre destacavam sua grande inteligência e o vasto conhecimento sobre diversos assuntos e temas. Muitas vezes rolavam até alguns exageros nesse sentido, até porque ninguém sabe tudo sobre todas as coisas. Mas é verdade que ele era culto e inteligente, tanto que lançou livros bem interessantes como O Xangô de Baker Street e O Homem que Matou Getúlio Vargas, entre outros. Olha, não é muito fácil elevar alguém à categoria de gênio da raça, mas é difícil não pôr Jô Soares nesse lugar. Ele foi realmente um artista acima da média, daqueles de que a gente pode se orgulhar de ter nascido no Brasil.
jo-galeria2jpg-05082022075306570.jpeg
Dizer que fará falta é pouco, porque já estava fazendo falta desde que deixou a Globo e a TV. Jô era gênio. E é insubstituível.
Dizer que fará falta é pouco, porque já estava fazendo falta desde que deixou a Globo e a TV. Jô era gênio. E é insubstituível.
FONTE: R7