18/06/2022 às 11h09min - Atualizada em 18/06/2022 às 11h09min

Terceiro suspeito de ligação com mortes de jornalista e indigenista se entrega à polícia

Jeferson da Silva Lima, o 'Pelado da Dinha', era considerado foragido; dois irmãos já haviam sido presos após admitirem o crime

Jeferson da Silva Lima, conhecido como 'Pelado da Dinha' (de costas) DIVULGAÇÃO
A Polícia Civil do Amazonas prendeu na manhã deste sábado (18) um terceiro homem suspeito de envolvimento na morte do jornalista inglês Dom Phillips e do indigenista Bruno Pereira. O suspeito é Jeferson da Silva Lima, conhecido como "Pelado da Dinha".

Phillips e Pereira desapareceram na região do Vale do Javari, no Amazonas, no último dia 5. Dois irmãos foram presos após confessarem ter matado os dois. Perícia feita pela Polícia Federal nos restos mortais encontrados na região confirmou que parte do material era do jornalista britânico. A polícia ainda faz testes para confirmar a morte de Pereira.

De acordo com nota divulgada pela Polícia Federal, que coordena a força-tarefa montada para elucidar o crime, Lima se entregou na Delegacia de Polícia de Atalaia do Norte nesta manhã. Ele será interrogado e encaminhado para audiência de custódia.

Pereira e Phillips foram vistos pela última vez no dia 5 de junho no Vale do Javari, no Amazonas. Eles partiram rumo à cidade de Atalaia do Norte, mas não chegaram ao destino. Eles pretendiam realizar entrevistas para a produção de um livro e reportagens sobre invasões nas terras indígenas da região. Pescadores admitiram ter matado os dois de forma cruel.

Um dos suspeitos confessou aos policiais ter matado o indigenista e o jornalista, esquartejado seus corpos e ateado fogo neles. Já estavam presos pelo crime Amarildo dos Santos, mais conhecido como "Pelado", e seu irmão, Osoney da Costa.

Região de conflitos

A região da Terra Indígena Vale do Javari é palco de conflitos que envolvem garimpo, extração de madeira, pesca ilegal e narcotraficantes. Com 8,5 milhões de hectares, a terra indígena fica localizada no extremo oeste do Amazonas, na fronteira com o Peru, e abriga ao menos 14 grupos isolados — a maior população indígena não contatada do mundo.

A área é a segunda maior terra indígena do país — atrás apenas da Yanomami, com 9,4 milhões de hectares — e tem acesso restrito, feito apenas por avião ou barco.

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