04/05/2022 às 18h50min - Atualizada em 04/05/2022 às 18h50min

ANATOMIA DE UMA TRAGÉDIA DA INSTITUIÇÃO POLICIAL AMAZONENSE ANUNCIADA

Portal do Sena - Informando com credibilidade

Atualmente estamos passando por uma grande crise de segurança, movida por uma escalada criminosa sem precedentes na história do Amazonas.

Os elevados índices de homicídios e crimes violentos alçam o Estado a um dos mais violentos da federação brasileira. E a falta de uma resposta investigativa eficiente faz com que os criminosos passem a ser mais ousados a cada dia que passa.

Na escala da ousadia criminosa temos várias fases:

1a fase: os crimes acontecem sem que haja uma reprimenda estatal que deveria partir dos órgãos de investigação,  em especial a Polícia Civil que é quem monopoliza as atividades investigativas. Ocorre que hoje dos 30DIP's da capital Amazonense cerca de 05(cinco) ou 06(seis) ainda efetuam algumas pouquíssimas prisões em decorrência de investigações policiais próprias. A expressiva maioria das Delegacias contam com meses sem que operacionalize uma única prisão, e muitas outras delegacias estão há mais de um ano sem realizar uma prisão sequer. É muito comum inclusive os policiais das delegacias desconhecerem quem são os criminosos que operam nas suas respectivas circunscrições.

2a fase: diante da inoperância da polícia investigativa os crimes passam a ocorrer de forma mais explícita, sem que haja qualquer espécie de pudor ou receio dos criminosos em realizar os atos delitivos à luz do dia, sendo que em muitos dos casos os próprios criminosos filmam suas ações criminosas e viralizam nas redes sociais, desafiando o trabalho dos órgãos policiais e a estrutura do Estado.

3a fase: começam os ataques a prédios e propriedades vinculadas à segurança pública, como os que têm acontecido já há algum tempo, a exemplo de furtos de veículos, objetos e equipamentos de dentro das Delegacias de Polícia, bem como ataques com granadas e disparos de arma de fogo também contra delegacias, assim como depredação das unidades que são atacadas com pedras em suas portas de vidro, culminando com a execução dentro de uma viatura da Polícia Civil de 03(três) criminosos de uma facção que opera na região metropolitana de Manaus.

4a fase: a ineficiência de uma resposta a altura faz a criminalidade evoluir para outro patamar na escalada da violência, passando a não mais respeitar a figura do policial ou agente de segurança pública e vendo uma oportunidade de progredir em status no mundo do crime a partir da execução de policiais. Os policiais passam a ser perseguidos, executados e mortos a fim de garantir às facções criminosas verdadeiros troféus pela prática ousada de tais crimes, os quais, quando praticados mediante tortura e humilhação angariam mais respeito entre os seus pares do crime.

5a fase: não tão distante, está a um passo muito curto de acontecer, onde os criminosos passarão a buscar os policiais dentro das suas próprias casas e no seus postos de trabalho, e como último estágio da escalada traduzir-se-á como o ápice do desrespeito às instituições policiais.

A política institucional adotada na esfera da Polícia Civil do Amazonas há cerca dos últimos 02(dois), desestruturou a atividade investigativa da instituição e passou a perseguir policiais e neutralizar setores que pudessem dar visibilidade a certas unidades. Optou-se por mover os chefes das delegacias de modo a impedir que um ou outro pudesse se destacar, e, o medo pela perda do cargo, faz com que a grande maioria dos Delegados e policiais linha de frente recuem nas suas ações policiais. Hoje em dia é mais seguro fazer o "feijão com arroz" e viver em paz do que correr o risco de sofrer reprimendas administrativas por conta da atuação policial, e isso traz o comodismo e a sensação de que é melhor permanecer na sua zona de conforto.

Não existem grandes investigações em curso no âmbito das delegacias de bairro, e as poucas operações policiais organizadas mobilizam uma estrutura enorme da secretaria de segurança pública para obter resultados pífios com poucas prisões e apreensão de inexpressivas quantidades de entorpecente quando se fala em DIP's.

As últimas operações deflagradas pelos dips integrados com apoio da PM trouxeram resultados humilhantes para as forças de segurança. Assim, quem deveria ter informações suficientes para conduzir ações policiais de expressão já que monopoliza os meios de investigação, produz operações oficiais com enorme aparato para uma resposta fraca.

Apenas duas ou três unidades da Polícia civil tem "autorização" para realizar grandes investigações, em deixado, além de serem utilizadas para reprimir a ação de muitos policiais que passam a recuar, desacelerar, não mais manter contatos com informantes e se manter nas suas zonas de conforto para não serem prejudicados.

A ROCAM, FORÇA TATICA e SEAOP ainda conseguem dar uma certa resposta retirando de circulação centenas de armas de fogo e criminosos, realizando entretanto apenas um trabalho paliativo, visto que a continuidade das investigações em cada caso deveria ser retomada pela Polícia Civil.

A Polícia Civil foi retransformada numa instituição figurativa que funciona como um mero balcão para recebimento de ocorrências apresentadas pela Polícia Militar e para a confecção de boletins de ocorrência dos usuarioa do sistema, os quais na maioria das vezes sequer tem o andamento investigativo e procedimental que a população deseja.

Os últimos dois anos da instituição trouxe a tona uma realidade que há muito não se via, policiais civis desestimulados e que perderam o ânimo em fazer polícia investigativa de verdade e a prova disso é o que fora relatado acima: dezenas de delegacias sem promover uma única prisão há meses, ao mesmo tempo em que são alvos de ataques e deboche de criminosos que literalmente têm "cagado" nas Delegacias.

Por enquanto não existe uma luz no fim do túnel, posto que as práticas gerenciais dos últimos dois anos continuam a operar a manutenção de tais atos administrativos.

Aos policiais civis e demais servidores do sistema de segurança pública cabe esperar que a violência não chegue aos seus familiares e rezar para que não precise da polícia investigativa para algo, uma vez que não existem indícios de que algo por ora irá mudar. No momento, muitos só pensam em chegar logo o dia da aposentadoria.

Fé em Deus

Autor: Desconhecido

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