Quem são as pessoas que estão pedindo autógrafo a Suzane Richthofen

PORTAL DO SENA - Informando com credibilidade

Por
3 Min

Foto: Reprodução

Um crime frio, brutal e que chamou a atenção de todo o país. Em 2002, aos 18 anos, Suzane von Richthofen matou os próprios pais, visando sua parte na herança. Depois do homicídio, agiu como se nada tivesse acontecido e ainda deu uma festa para algumas amigas em um sítio no interior de São Paulo. Nas semanas posteriores, com todas as evidências vindo à tona, ela acabou confessando o crime e foi presa pela Polícia Civil. Suzane foi inicialmente condenada a 39 anos e seis meses de reclusão pela morte dos pais, mas desde 2015 está em regime semiaberto e agora iniciou o curso de biomedicina na Universidade Anhanguera de Taubaté. Segundo informações divulgadas pelo jornalista Erlan Bastos, a criminosa se tornou popular no ambiente universitário e tem sido tratada como celebridade. Uma aluna chegou a dizer nas redes sociais que "ela chegou falando com todo mundo, toda cínica, muito simpática. E o pessoal babou o ovo dela e pediu autógrafo no caderno como se fosse famosa". Em nota, a Faculdade Anhanguera negou qualquer tipo de tratamento diferenciado:  "Informamos que não procedem as informações que têm sido divulgadas em redes sociais e na imprensa a respeito da rotina da unidade de Taubaté. (...) A Faculdade Anhanguera ressalta que todos os alunos são tratados de forma igual e que as atividades desenvolvidas em classe são estritamente acadêmicas".
Crime x fama
suzane-von-richthofen-o-crime-que-chocou-as-familias-brasileiras.jpg
De qualquer maneira, o que chama atenção nessa história é que, além da possibilidade de estarem pedindo autógrafos, vários fã-clubes foram criados nas redes sociais para homenagear Suzane. Tal atitude impressiona e nos faz refletir: que tipo de pessoa pode enaltecer um criminoso dessa maneira? Será que estamos falhando como imprensa ao repercutir casos de crimes? Infelizmente, é cada vez mais frequente ver aqueles que dizem defender os direitos humanos pintarem criminosos como inocentes e policiais como algozes. Além disso, a indústria cinematográfica acaba incentivando essa atração doentia por criminosos ao romantizar os crimes nos filmes e séries. O mesmo vale para o sensacionalismo jornalístico.
25-4.jpg
Mudança Desde Barrabás, quando o povo decidiu livrar um conhecido criminoso da crucificação e condenar Jesus Cristo (que não tinha cometido nenhum crime), até os dias de hoje, o comportamento humano é questionável em vários aspectos. Não estou falando que quem cometeu um crime não tem direito de recomeçar. A ressocialização é necessária e, infelizmente, nosso sistema prisional é deficitário no que diz respeito a isso. Já disse neste blog que o Brasil investe muito pouco em processos eficientes de ressocialização e na aplicação dos regimes semiaberto e aberto.
Mas, além disso, idolatrar bandidos como Suzane, o goleiro Bruno, Elize Matsunaga, entre tantos outros, só mostra quão doente a sociedade está e quanto aplaudi-los incentiva o aumento da criminalidade no nosso país.
FONTE: R7