18/03/2021 18h38 - Atualizado em 18/03/2021 às 18h38
Foto: Reprodução
Vídeos que circulam nas redes sociais de famílias brasilienses são monitorados pela Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF).
Nas imagens, um homem utiliza filtro que simula a personagem Elsa, do desenho animado Frozen, da Walt Disney.
Seria um conteúdo infantil, não fosse a mensagem que o autor traz. Entre outras orientações, a heroína deturpada sugere que as crianças “adorem satanás”.
A gravação, feita por meio do aplicativo TikTok e compartilhada no Instagram por um youtuber de São Paulo, beira a prática de crime, segundo investigadores da Delegacia de Repressão a Crimes Cibernéticos (DRCC).
Com linguagem infantil e voz anasalada, o autor do vídeo leva poucos segundos para passar a mensagem. “Oi, crianças! Sou eu, a Elsa.Hoje vou ensinar a vocês a fazerem uma arte muito bonita na casa de vocês. Vamos aprender?”, diz o homem.
Na mesma gravação, a “Elsa desvirtuada” continua. “Para isso, vamos precisar de canetinha e molho de tomate. Com a canetinha, vocês vão desenhar várias estrelas como essas (pentagramas que simbolizam a marca da besta) nas paredes da casa de vocês. Vocês puderam perceber que a pontinha tá virada pra baixo? E, com o molho de tomate, vocês vão contornar o desenho. Se alguém perguntar por que vocês fizeram isso, vão responder: ‘pela glória de Satã, é claro!'”, diz.
Conteúdo negativo
Segundo o delegado-chefe da DRCC, Giancarlos Zuliane, a corporação teve conhecimento sobre o compartilhamento dos vídeos nas redes sociais durante troca de informações com a Polícia Civil paulista.
“Existem apurações que estão em andamento, apesar de nós termos acompanhado a disseminação desse conteúdo”, explicou o delegado.
O chefe da DRCC destacou que o autor dos vídeos é um youtuber que postou os vídeos em seu perfil no Instagram.
“Os vídeos são diferentes do Pateta, que estimulava o suicídio e a automutilação. Isso não ocorre com a Elsa. No entanto, o vídeo beira a prática de delitos, principalmente no que diz respeito à apologia de crimes. Com certeza, é um péssimo conteúdo, que nenhuma rede social gostaria de hospedar”, afirmou Zuliane.
Já o delegado Dário Taciano de Freitas Júnior afirmou que o conteúdo é impróprio para crianças.
Nesse sentido, caso fosse verificado que o indivíduo, publicamente, incita a prática de crime, este poderia ser apenado com detenção, de três a seis meses, conforme artigo 286 do Código Penal.